Six Sigma: muito além da qualidade
Um método para transformar processos — não para culpar pessoas.
Os problemas nem sempre estão nas pessoas. Na maioria das vezes, estão nos processos.
O que significam 3 Sigma e 6 Sigma?
Um processo em 3 Sigma pode gerar cerca de 66.800 defeitos por milhão de oportunidades. Um processo em 6 Sigma gera cerca de 3,4 defeitos por milhão.
É a diferença entre apagar incêndios diariamente ou operar de forma previsível e controlada.
Muitas empresas tentam resolver problemas atacando os sintomas: aumentam inspeção, trocam o operador, mudam o fornecedor, fazem reuniões intermináveis.
O segredo da melhoria contínua: DEIMAC
D — Definir
Antes de melhorar qualquer coisa é necessário definir qual é o problema, qual é o impacto financeiro, quem é o cliente e quais são os requisitos críticos.
O que realmente precisa ser melhorado?
E — Estudar (mapear)
Aqui entram os fluxogramas. Um fluxograma permite enxergar etapas do processo, retrabalhos, inspeções, movimentações desnecessárias e gargalos.
I — Identificar e medir
Aqui se definem os indicadores: produtividade, rendimento, refugo, tempo de ciclo, consumo de matéria-prima e custo da não qualidade.
M — Medir com MSA
Para tomar decisão, os dados precisam ser confiáveis. Entram Gage R&R, estudos de repetibilidade e reprodutibilidade e análises de viés.
A — Analisar
Onde está o gargalo? Qual variável realmente influencia o resultado? Existe correlação? Existe causa e efeito?
Ferramentas: diagrama de Ishikawa, Pareto, regressão, correlação e testes de hipótese.
M — Melhorar com DOE
Design of Experiments para descobrir variáveis importantes, identificar correlações, fazer análises de regressão e consolidar melhorias.
C — Controlar
CEP, planos de reação, Cp, Cpk, Pp e Ppk para saber se o processo é robusto e capaz de atender às especificações.
Na prática
Six Sigma é pensamento estruturado, decisão baseada em dados, eliminação de desperdícios, redução de variabilidade e aumento de produtividade e lucratividade.
Na indústria da borracha, aplica-se a redução de tempo de vulcanização, melhoria de dispersão, redução de refugo, aumento da capacidade de extrusão, otimização de compostos, melhoria da adesão borracha-metal, aumento da vida útil de moldes, redução de variação dimensional e redução de consumo de matérias-primas.
Conclusão
A diferença entre empresas medianas e empresas de classe mundial raramente está em equipamentos extraordinários. Normalmente está na capacidade de compreender, medir, analisar e controlar os processos.
O Six Sigma não é uma coleção de ferramentas estatísticas. É uma forma disciplinada de pensar.
Toda melhoria sustentável começa quando deixamos de perguntar “quem causou o problema?” e passamos a perguntar “o que o processo está tentando nos mostrar?”